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Pesquisa aponta que uma a cada quatro crianças gaúchas de até seis anos de idade está em situação de pobreza

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Uma a cada quatro (24%) crianças que residem no RS, de zero a seis anos, vive em situação de pobreza, foi o dado da mais recente pesquisa realizada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), divulgada nesta terça-feira (27).

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Os dados coletados no ano passado são de 208,8 mil gaúchos na primeira infância que vivem com renda per capita familiar de menos de US$ 5,50 por dia, o equivalente a R$ 1.868 ao mês para uma família de quatro pessoas, conforme valores da época.

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O poder de compra de quem sobrevive com a renda citada faz-se insuficiente, já que a cesta básica de Porto Alegre custava, até a metade do ano passado, R$ 642, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese) consultados por GZH.

O estudo produzido pelo PUCRS Data Social: Laboratório de desigualdades, pobreza e mercado de trabalho, expõe ainda que 3,4% dos pequenos gaúchos de até seis anos (equivalente a 32,4 mil crianças) estão no quadro de extrema pobreza.

Tal condição é considerada quando a renda per capita representa menos de US$ 1,90 dólar ao dia, ou seja, R$ 644 por mês para uma família de quatro pessoas. O valor para definir situação de pobreza e pobreza extrema aplica parâmetros do Banco Mundial.

Os dados do ano de 2021 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) foram coletados pelos pesquisadores. A realidade do cenário de pobreza entre crianças gaúchas está bem abaixo da média nacional e classifica-se como a segunda menor do país, atrás apenas de Santa Catarina. No Brasil, 44,7% das crianças de zero a seis anos são pobres (7,8 milhões) e 12,7% (2,2 milhões de crianças), vivem em extrema pobreza.

No Nordeste, todos os Estados, exceto pelo Ceará, têm cerca de 60% das crianças pobres na primeira infância. O pior cenário brasileiro é no Maranhão, onde a pobreza representa quase 72% das crianças.

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Apesar de os números regionais serem reconfortantes em relação aos dados dos demais, os autores do estudo destacam ainda que, o número é muito alto para o Rio Grande do Sul, devido a sua posição como um dos Estados mais ricos do país. As estatísticas indicam que embora haja uma maior renda nessas regiões, a desigualdade social faz-se presente em alta taxa e aflige a população.

O economista Ely José de Mattos, também professor da PUCRS e autor da pesquisa, compara o estudo ao cenário da pandemia de COVID19: “A colocação do Rio Grande do Sul é melhor do que a média brasileira. Agora, 24% das crianças pobres é um número confortável? Não é. Nenhum Estado brasileiro apresenta número confortável de pobreza infantil. Antes da pandemia, eram números melhores.”.

No ano de 2014, o RS tinha 23,6% de crianças pobres, com o indicativo apontado na pesquisa de que as circunstâncias pioraram ainda mais com a pandemia. Os dados mostram que, quanto mais oportunidades de estudos por parte dos pais, menor a reflete-se a pobreza entre os filhos.

Nas famílias acima da linha de pobreza, 69% dos chefes de família tinham pelo menos o Ensino Médio completo. Já o oposto, quando a criança estava abaixo da linha de pobreza, só 46% dos chefes de família puderam terminar a escola. O percentual cai para 41,7% entre as crianças extremamente pobres.

Os dados preocupam, não somente por uma família enfrentar uma dura realidade, mas também porque estudos na área da saúde apontam que as crianças com fome e poucos recursos infelizmente acarretando um prejuízo na formação da arquitetura cerebral — problema que dificulta a cognição, aprendizagem, memória e foco, causando prejuízos futuros, como a ascensão social.

Esse fato explica a vantagem que adultos criados em ambientes estimulantes possuem no mercado de trabalho em comparação a pessoas com menor bagagem cultural e cognitiva, educadas em lares mais vulneráveis.

Mais um dos autores do estudo, o sociólogo e professor André Salata, expõe que são grandiosos os números de pesquisas na área de economia e sociologia que apontam o triste cenário da relação da ascensão social com as crianças mais pobres. Estas entram em um quadro provável do futuro no qual o risco de estudar menos, ganhar pouco, engravidar cedo e entrar para o crime podem ser mais comuns.

Salata ressalta: “A gente sempre pensa na insegurança alimentar, o que está presente, mas importa também a capacidade dos pais de fornecer estímulos necessários para o desenvolvimento da criança. Isso impacta na formação cerebral, na acumulação de capital cultural e no desenvolvimento de autoconfiança e resiliência”.

Os pesquisadores do estudo também puderam analisar mais um dado do ano de 2020, durante o período de auxílio emergencial da pandemia, que a pobreza caiu entre crianças, mas subiu novamente em 2021 com o enfraquecimento do programa. Para combater essa realidade e mudar as marcas deixadas por esse período, é sugerido pelos pesquisadores que sejam fortalecidas políticas públicas voltadas aos grupos mais vulneráveis.

“É importante garantir a sustentabilidade de longo prazo dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, agora chamado Auxílio Brasil. E precisamos fortalecer a Educação Infantil pública, em especial creches para crianças de até três anos”, menciona Salata.

A pobreza está presente, em sua grande parte, no campo em comparação à cidade grande. No Rio Grande do Sul, 38,7% das crianças da zona rural são pobres, em contraponto, as que residem na zona urbana, representam 21,6%. No país, cerca de 70% das crianças do Interior são pobres.

A pobreza que depende da geografia já é estudada na área acadêmica e ocorre no interior devido às menores ofertas de trabalho e o acesso às restritas políticas públicas de assistência. Assim, ressalta o economista Ely de Mattos: “O prejuízo de enfrentar situações de privação na primeira infância é para vida toda. Deixa sequelas que vão durar décadas”.

A raça também engloba o fenômeno da desigualdade social, em nível nacional e regional. Crianças negras são mais pobres do que as brancas, e a distância cresce ainda mais entre as extremamente pobres. “A população negra está mais concentrada em classes de renda mais baixas. Como há maior concentração de crianças nas classes mais baixas, a conta acompanha”, ressalta o economista.

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