Não se sabe a razão, mas seu Antônio, de 70 anos, sempre teve uma fixação por bodes. Certa vez, chegou a ter 30 deles numa área rural de Araranguá (SC). Esse fascínio mexeu com o imaginário do sobrinho João Batista Pires, que um dia sonhou ter um bode também.
Batista cresceu, se formou em medicina, construiu uma família e um lar que, além da esposa Joelza e da filha Camila, de 12 anos, tem um cão fêmea, quatro gatos, três periquitos, uma cabrita de cinco meses, a Filomena, e um bode de nove meses, Barnabé Antônio, o último nome em homenagem ao tio. (fotos)
Como tudo começou - Com o desejo de ter um bode de “estimação”, há seis meses João Batista Pires comprou o animal em uma loja de artigos e produtos religiosos, sem compartilhar a ideia com ninguém: nem com Joelza e muito menos com Camila. Simplesmente abriu a porta de casa, entrou como se fosse um dia normal e apresentou Barnabé à família.
A esposa, meio assustada, levou poucos minutos para se apaixonar pelo bode. Já Camila tem lá suas resistências, pois considera o pai um pouco diferente de outros pais. Pudera, criar um bode numa casa, na Zona Norte de Porto Alegre, é realmente diferente. Barnabé Antônio é o primeiro bode urbano do Brasil.
Rotina - São quase cinco quilos de ração por semana e muitas, muitas frutas, como maçã, pêra, goiaba. Uma quantidade diária de cimento, areia, tijolos e plantas também fazem parte do cardápio de Barnabé.
O que o bode tem de diferente dos animais “normais” de estimação, como cão, gato, coelhos ou hamsters? Absolutamente nada. É um pouco desobediente, porém, muito afetuoso. “Sou babá de uma criança pequena. Tem que estar atento 24 horas para que ele não faça nada de errado, pois não obedece muito, não existem regras com ele. Mas é muito carinhoso. Quanto mais forte a chifrada, maior o amor”, brinca Batista.
À medida que cresce, mais forte é o odor. Atrás das narinas tem uma glândula que provoca o mau cheiro, exalado por entre os chifres. A função da glândula, segundo Batista, é atrair a atenção da fêmea, marcar território. Por isso o bode tem passado menos tempo na sala. Sim, ele circula livremente pelos ambientes da casa e convive bem com os gatos e a cadela, como se fossem todos da mesma espécie e da mesma ninhada. Barnabé Antônio passa o dia ao ar livre e, à noite, sobe no telhado para dormir. E quanto mais alto o telhado, melhor.
Toda a semana, o bode vai tomar banho numa Pet Shop, localizada na avenida Anita Garibaldi. O que no início era novidade, agora é rotina. Todos conhecem e são amigos de Barnabé. “Meus amigos e familiares, quando telefonam, nunca deixam de perguntar pelo Barnabé. E ninguém deixou de nos visitar por causa dele ou do cheiro. Pelo contrário. É o xodó da família”, enfatiza o dono do animal.
Barnabé e Filomena - A preocupação de João Batista Pires com Barnabé é tanta que ele até comprou uma "noiva" para o animal: a cabrita Filomena. A intenção dele não é ter 30 bodes ou cabritos em casa, a exemplo do tio. No máximo uma ninhada daqui a alguns meses. Barnabé Antônio bem que tenta “enamorar” Filomena, mas ela só tem cinco meses e é muito recatada. Mais um tempo, ela estará preparada para uma relação mais profunda com o bode e para construir sua própria família. “Mais dois ou três cabritinhos em casa, e a família está completa”, diz Batista.
Tanto Barnabé Antônio como a cabrita Filomena e os quatro gatos são pretos. Não é nenhuma superstição do dono, a cor é apenas um contraste às paredes brancas da casa. Como diz João Batista, “uma questão de estética”. Eles, de fato, circulam tranquilos pela casa e dão um brilho especial ao lar. Trazem a sensação de conforto e união de espécies, sem preconceitos, e alegria à família Pires.
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