Esportes - UFC 143: Carlos Condit controla Nick Diaz e é o campeão interino dos meio-médios

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Vale do Paraiba - Se faltou o quebra-pau imaginado, sobrou tensão na luta principal do UFC 143. Na noite deste sábado, diante de 10.040 presentes no Mandalay Bay Events Center, em Las Vegas,

gerando renda de 2,3 milhões de dólares, Carlos Condit segurou o ímpeto de Nick Diaz e conquistou o cinturão interino dos meio-médios. Na outra luta principal da noite, Fabricio Werdum mostrou evolução e venceu Roy Nelson sem precisar do jiu-jitsu.

 

Mike Pierce mais uma vez endureceu contra um top, mas saiu derrotado por Josh Koscheck. Renan Barão passou pelo maior desafio da carreira ao vencer Scott Jorgensen. Na abertura do card principal, Ed Herman mostrou superioridade no chão e finalizou Clifford Starks.

Já nas duas primeiras preliminares, Stephen Thompson fez valer toda a expectativa depositada sobre ele ao aplicar um nocaute sensacional em Dan Stittgen, enquanto Rafael Sapo chegou a passar algum aperto, mas dominou Michael Kuiper e venceu por decisão.

O UFC 143 ainda marcou a estreia da nova vinheta de abertura dos cards principais em eventos no formato de pay-per-view. Quem esperou para ver no Combate acabou decepcionado com o corte do sinal no meio da abertura. Veja aqui então a nova introdução:

Polêmicas, polêmicas. Não importa o esporte, elas sempre estarão presentes. Ainda mais quando mexe com paixão de torcedor. Você achou que Nick Diaz era o cara para vencer Georges St-Pierre? Achou que o canadense ficaria intimidado com o ex-campeão do Strikeforce? Desculpe te dizer assim de modo meio direto, mas você caiu no conto do vigário.

O Nick Diaz que entrou no octógono nesta madrugada era o mesmo dos últimos tempos, provocador, intimidador, destemido. Já tratou de ocupar o centro do cage assim que o duelo começou. Passou todo o primeiro round na caça de Condit trocando a base, lutando com a guarda aberta, chamando (literalmente) o oponente para a luta franca. Com o mesmo estilo de sempre. Carlos se mostrou preparado, movimentando-se o tempo todo, esgrimando com o jab e chutando. O pupilo de Greg Jackson parecia ter uma boa tática para evitar o fator “Diaz Brothers”. Como Condit se movimentou mais do que atacou no primeiro round, Nick levou a apertada parcial por 10-9. Mas estava claro que muita coisa ainda ia rolar.

O polêmico lutador de Cesar Gracie voltou do mesmo modo para o segundo. Quem mudou foi Condit. A tática permaneceu a mesma, mas Carlos passou a agredir muito mais. Passou a aproveitar o enorme buraco defensivo de Diaz para aumentar a quantidade de joelhadas, jabs e diretos, golpes retos que entravam sem bloqueio. Isto misturado com uma grande quantidade de chutes. Nick apelava para a pressão psicológica, guarda baixa, chamando e fazendo gestos para atrair o oponente para a pancadaria. Como Condit manteve-se frio, raramente o oponente conseguiu encaixar sequências. Em mais um round apertado, 10-9 para o “Natural Born Killer”. Naquele momento, estava claro que a luta ia longe.

O terceiro round seguiu com o mesmo enredo, mas com pequena diferença de execução. Diaz equilibrou a luta na quantidade de golpes acertados. A parcial dava a impressão que terminaria empatada, ou até mesmo com vantagem do Bad Boy de Stockton, mas Condit reagiu na parte final. A partir da marca de um minuto e meio para a buzina soar, o atleta da Jackson’s MMA apertou o ritmo, aumentou o número de golpes acertados, machucou o rosto do adversário e garantiu o 10-9 no round, virando a luta a seu favor.

Se os três primeiros rounds foram equilibrados, o quarto deixou claro que um vencedor estava encaminhado. O panorama seguiu igual, mas a produção de Diaz foi bem menor. O ex-campeão do Strikeforce continuava tentando encurralar Condit na grade, mas foi contragolpeado durante toda a extensão do round. O antigo dono do cinturão do WEC seguiu carimbando as pernas e o corpo de Nick com chutes, além de encaixar algumas sólidas sequências, até a vitória por 10-9, a mais clara até o momento.

Quinto round, mesmo enredo. Diaz na caça, Condit rodando e contragolpeando. Carlos dominava o round, acertando os melhores golpes, quando foi cinturado e arrastado para o chão a um minuto e meio do final da luta. Nick rapidamente prendeu os grampos, puxou o adversário e socou para abrir espaço para o mata-leão. Condit prendeu o braço esquerdo de Diaz e tentou se defender. O bad boy então conseguiu livrar o braço e encaixou o esgana-galo, rodando para deixar o adversário com a cara na grade. Carlos pisou na tela, empurrou o oponente para trás e conseguiu soltar a tentativa de estrangulamento. Diaz martelou, girou para a chave de braço, mas Condit escapou. O round terminou com vantagem para Nick Diaz, mas o 10-9 não impediu a derrota.

Carlos Condit não é Evangelista Cyborg, Paul Daley, KJ Noons ou aquele BJ Penn fake que andou perambulando pelos octógonos por um tempo. A tática de Diaz rendeu fruto contra estes, mas sempre com um tanto de aperto. No dia que pegou um lutador inteligente, se enrolou e não se encontrou na luta. Condit deu o tom nas estrevistas:

“Ele estava falando. Eu estava socando. Eu achei que estava vencendo. Não importa o quanto ele falou, eu estava batendo forte e batendo muito. Foi isso que eu vim fazer aqui, não vim aqui para falar. Foi surreal! Eu não teria conseguido se não fossem meus treinadores e parceiros de treino. Fiz o que eles me disseram para fazer e saí com a vitória. Minha resistência sempre foi uma qualidade forte, sempre fez parte do meu jogo, quando eu conseguia quebrar o ritmo dos meus adversários. Fiz isso com ele (Diaz). Encontrei o meu ritmo. Tiro meu chapéu para Nick Diaz, ele é um guerreiro. Eu o respeito e admiro muito suas lutas. Espero que vocês tenham se divertido.”

É preciso ter critério – coisa que os juízes laterais (e alguns torcedores) não têm. E é preciso conhecer as Regras Unificadas de Conduta do MMA. Se Quinton Jackson não mereceu vencer Lyoto Machida, se Diego Sanchez não devia ter vencido Martin Kampmann, se o Korean Zombie foi roubado contra Leonard Garcia, Nick Diaz também não podia ter vencido ontem. “Andar pra frente” realmente é um critério de julgamento (agressividade efetiva: lutar se movendo em direção ao oponente e disparando golpes legais), mas tem peso menor do que a quantidade de golpes significativos levados. Parece simples mas, pela quantidade de gente que reclama, pelo visto não é.

Irritado com o resultado, Nick Diaz anunciou ainda dentro do octógono que estava se aposentando:

“Eu não vou aceitar que isto foi uma derrota. Já perdi lutas como esta antes, não vou aceitar. Carlos é um ótimo caar, estou feliz por ele e por sua família, mas eu acho que já chega para mim com este MMA. Foi ótimo até aqui, tive uma boa carreira. Vocês me pagaram muito bem, mas eu não acho que farei o suficiente para continuar com isto. Foi um bom tempo. Não preciso desta merda, entende? Fiz este cara recuar o tempo inteiro. Ele fugiu de mim a luta inteira. Eu acertei os golpes mais fortes. Ele me chutou nas pernas com chutes de criança a luta inteira. Se este é o modo com o qual os juízes entendem por uma vitória, não vou mais jogar este jogo.”

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Fonte:
http://www.mma-brasil.com
ALEXANDRE MATOS