Esportes - UFC On FOX 2: Rashad Evans e Chael Sonnen se garantem como desafiantes

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Litoral Norte - Rashad Evans domina Phil Davis e vai encarar Jon Jones. Chael Sonnen sofre com Michael Bisping e terá revanche com Anderson Silva. Chris Weidman consegue a maior vitória da carreira sobre Demian Maia.

 

Em um card principal menos emocionante que o previsto, alguns papéis se inverteram no UFC On FOX 2, disputado na noite deste sábado no United Center, em Chicago. Diante de 17.425, que geraram renda de 1,2 milhão de dólares, Rashad Evans teve menos problemas do que pensara contra Phil Davis e garantiu vaga como próximo desafiante de Jon Jones. Já Chael Sonnen passou algum aperto, mas venceu Michael Bisping e virá ao Brasil desafiar Anderson Silva.

Na luta que abriu o card principal, Chris Weidman solidificou seu nome entre as principais forças da divisão dos médios ao dominar Demian Maia. Pelo card preliminar, Charles do Bronx’s tirou uma submissão da cartola contra Eric Wisely.
Rashad Evans (EUA) venceu Phil Davis (EUA) por decisão unânime (50-45, 50-45, 50-45)

Davis tinha talento para engrossar a luta. Começou implementando um plano de jogo correto, mas se perdeu e foi engolido pela experiência do ex-campeão.

Maior, mais forte e com maior envergadura, Phil iniciou usando bem os golpes retos mesclados com chutes baixos, movimentando-se e mantendo Evans distante. A boa atuação durou menos de um minuto e meio, até Davis inventar um soco rodado ridículo, escorregar e ficar no clinch. A partir de então vimos 23 minutos de domínio praticamente completo de Rashad.

Os golpes do novato passaram a ser telegrafados de um modo que, ainda no primeiro round, Evans agarrou um chute e mandou o decorado wrestler universitário ao chão. O ex-campeão girou, travou Davis num crucifixo e martelou seu rosto. O oponente se debateu para tentar escapar, mas foi acertado seguidamente até o final do round.

O restante da luta não foi interessante. Davis poucas vezes conseguiu recuperar o plano de jogo e passou a maior parte do tempo perdido. Rashad o dominou com a trocação mais técnica, lançando várias combinações rápidas em resposta a socos únicos do oponente. Mostrou também um wrestling defensivo de primeira linha contra ataques sem timing e parecendo desesperados. Evans ainda trabalhou com bastante agilidade na luta agarrada. No segundo e último rounds Rashad repetiu a dose de agarrar um chute muito mal executado de Davis e o lançar ao chão. Muito mais inexperiente, Phil foi cansando e causando cada vez menos problemas para o ex-campeão.

Apesar de não ter tido uma atuação brilhante, Rashad Evans venceu claramente todos os cinco rounds contra um oponente talentoso. Muitos podem achar que foi uma atuação insuficiente para enfrentar Jon Jones. Rashad obviamente será azarão, assim como qualquer outro meio-pesado no mundo, mas cada luta é uma história diferente e, no momento, ninguém merece mais a chance do que o “Suga”. Ele se mostrou confiante para a disputa de cinturão:

“Estou pronto para lutar em abril. Estou empolgado em finalmente ter a oportunidade de lutar com Jon e dar aos fãs a luta que eles querem ver. Quero deixar a rivalidade de lado e aproveitar a chance de pegar meu cinturão de volta. Acho que posso vencer Jones, vejo áreas em que posso capitalizar.”

Sobre a luta, Rashad entendeu que não teve uma atuação tão espetacular como a anterior, mas reconheceu a dureza dos adversários que lhe são oferecidos nesta altura da carreira:

“Eu queria fazer mais uma luta espetacular e vencer pelos fãs de Chicago e da FOX. Não fiz o que eu queria, mas fiz meu trabalho. Não posso ser tão crítico porque em noites como esta, vencendo neste estágio do UFC, as vitórias vêm de modo muito duro. Eu deveria estar agradecido.”

Chael Sonnen (EUA) venceu Michael Bisping (ING) por decisão unânime (30-27, 29-28, 29-28)

Sonnen venceu, como a maioria previa. Mas o fez com muito mais dificuldade do que muitos imaginavam.

O americano já partiu para cima no começo da luta e com oito segundos já tinha o britânico no chão. Sonnen tentou sustentar a posição mas Bisping conseguiu se levantar sem sofrer danos. Os lutadores foram para o clinch na grade, Mike se soltou e voltou para o centro. Chael novamente partiu para cima e levou um pesado contragolpe. Ali ficou claro que Sonnen teria que cortar um dobrado para vencer.

Sonnen voltou ao clinch e conseguiu nova queda. Atacou no ground and pound e viu o oponente conseguir se levantar. Os lutadores passaram longo tempo fazendo força no clinch, trocando cotoveladas, socos e joelhadas. A buzina encerrou o equilibradíssimo primeiro round. Bisping levou vantagem nos poucos momentos de trocação. Sonnen o superou nas quedas e a luta agarrada em pé foi bastante equilibrada. Em minha contagem extra-oficial, apontei 10-9 para Sonnen, mas um empate caberia perfeitamente nos cinco minutos iniciais.

O americano reiniciou o combate na ofensiva, porém mais cauteloso, respeitando o kickboxing do inglês. Com meio minuto, Sonnen levou o oponente para o clinch de costas para a grade. Cinco segundos depois, Bisping reverteu a situação e ficou no controle por um minuto, até que o árbitro “Big” John McCarthy ordenasse o reinício no centro. Depois de trocarem alguns socos, Sonnen mergulhou num double-leg e levou o adversário ao chão. Um minuto de trabalho de chão pouco efetivo e Bisping se levantou, levando ele o combate para a grade, dominando a ponto de tentar um single-leg. Num round muito mais claro que o anterior, Bisping venceu e empatou a luta.

Disposto a resolver a luta a seu favor, Sonnen quedou Bisping rapidamente, dominou o oponente no chão por um tempo e passou para as costas. Ao perceber que não conseguiria encaixar um mata-leão, Chael rapidamente montou. Com o americano bem posturado e longe da grade, ficou complicado para Michael se safar da posição de desvantagem. Os lutadores trocavam golpes frágeis quando McCarthy ordenou que Sonnen, que estava em posição dominante, trabalhasse mais. O inglês conseguiu rastejar e sentar na grade já dentro do minuto final. Ainda teve tempo de se levantar e aplicar uma queda, mas era tarde demais. Sonnen venceu o round mais claro da luta por 10-9 e levou o combate por 29-28 na minha contagem, a mesma apontada por dois juízes laterais. O terceiro viu os três rounds favoráveis ao americano, contagem surreal pelo que vi da luta.

Na entrevista após o duelo, Sonnen mostrou humildade e reconheceu a boa atuação de Bisping:

“Eu me surpreendi com tudo. Michael Bisping me acertou tão forte no primeiro round que eu sequer sabia que dia era. Lembro que, quando eu partia para cima dele, olhava-o e pensava: ‘Meu Deus, você não tem ideia do quanto você me machucou. Se soubesse, cairia para dentro’. O único round que tive certeza que venci foi o terceiro. Pensei que eu poderia ter levado um dos dois primeiros, mas não tinha certeza. Eu não estive em posição confortável um momento sequer nesta noite. Nem um.”

Como não poderia ser diferente, Chael falou sobre seu próximo adversário. Apesar de dizer que continua achando que Anderson não vai aceitar, Sonnen se diz pronto:

“Sei que vou fazer a minha parte. Eu acho que [Anderson] vai assinar para lutar? Não, eu não acho. Mas vamos ver. Eu estava errado antes, mas tentei fazê-lo lutar por quatro vezes. Esta é a única coisa que eles não lhe dizem. Não estou tentando ir contra ninguém aqui, mas eles ofereceram a luta a ele quatro vezes e ele disse não quatro vezes. Misteriosamente ele aceitarua na quinta? Uma coisa eu digo para vocês: Eu nunca recuei e nunca o farei. Mas prefiro falar de um homem de verdade como Michael Bisping, que aceitou me enfrentar com apenas dez dias de antecedência. Este é o tipo de cara que merece minha atenção, não um vagabundo no Brasil. Posso garantir a vocês que, se Bisping enfrentasse o suposto campeão hoje, ele poderia vencer, se lhe dessem a oportunidade.”

Chris Weidman (EUA) venceu Demian Maia (BRA) por decisão unânime (29-28, 29-28, 30-27)

O americano aceitou a luta com onze dias de antecedência, sem estar num camp específico. Precisou cortar peso no desespero e viu o condicionamento físico cobrar o preço. Ainda assim deu mais um passo na direção dos melhores da divisão.

A diferença ficou clara nos primeiros segundos de luta. Com uma base que nada lembra a de um lutador de ponta, Demian foi para o ataque no mesmo momento em que Weidman agiu. O brasileiro foi a knockdown. O americano encheu-se de confiança e passou a controlar a distância. Sem conseguir encurtar para levar a luta para o chão, Maia tornou-se presa fácil. Para garantir a vitória no round, Weidman quedou o brasileiro, caiu por cima, mas não sustentou a posição e o faixa preta paulista se levantou. Demian tentou uma combinação, tropeçou em um chute alto e novamente viu Weidman controlar a luta e vencer a primeira parcial por 10-9.

A trocação do brasileiro estava tão limitada que Weidman não teve a menor dificuldade em quedá-lo novamente no começo do segundo round. Caiu de guarda passada, com posição estabilizada, forçando Demian a se levantar em vez de tentar um ataque. A luta voltou para o centro e o americano começou a sentir o cansaço, situação decorrente da perda drástica e não planejada de peso. E assim o duelo passou a um nível fraquíssimo: o americano não tinha forças para atacar e o brasileiro não era capaz de entrar com uma combinação maior que um-dois. Chris conseguiu nova queda nos segundos finais, tentou pegar as costas, arriscou um triângulo de mão e ouviu a buzina encerrar outro round. Novamente 10-9 para o americano. Somente um milagre salvaria Demian.

Weidman levou a luta para o chão ainda no primeiro minuto do último round, aproveitando a falta de reação do brasileiro. Depois de sofrer um curto ground and pound, Maia mostrou que é um faixa preta de verdade e conseguiu se levantar. Com ambos os lutadores muito cansados, a parte final tornou-se um martírio para o público. Maia tentava entrar em quedas destrambelhadas, facilmente evitadas por Weidman. Trocação lenta e braços pesando uma tonelada em ambos os lutadores marcaram os dois minutos finais da luta. Como diz o mito João Guilherme, “eles estavam torcendo pro mundo acabar num barranco pra morrerem encostados”. Bom, o mundo não acabou, mas a luta finalmente sim. Mais um 10-9 a favor do americano,que encerrou o combate com 30-27 na minha contagem.

Na hora de anunciar o resultado oficial, Bruce Buffer quase matou meio mundo de susto. O announcer leu 29-28 Weidman na primeira papeleta e, por incrível que pareça, anunciou 29-28 Maia no segundo. Se já era meio absurdo dar um round para o brasileiro, imagine dois. O terceiro juiz apontou 30-27 para o americano, que vencia por decisão dividida. Algum tempo depois, a correção: Sal D’Amato e Gabriel Sabaitis apontaram 29-28 para Weidman e Patrick Morley viu os três rounds a favor do vencedor, oficializando a decisão unânime a favor de Chris Weidman.

Charles Oliveira (BRA) venceu Eric Wisely (EUA) por submissão com chave de panturrilha (1:43, R1)

A categoria era nova, a atuação foi como nos velhos tempos. Charles fez sua primeira luta como peso pena, categoria que pareceu definitivamente ser a ideal para seu tipo físico.

Ele tomou o centro do octógono no começo do combate. Agarrou um chute de Wisely e o colocou no chão. O brasileiro então aplicou alguns socos em pé enquanto manipulava as pernas do americano de costas no chão. Vendo as insistentes tentativas de pedaladas de Wisely, Charles se lançou ao chão, agarrado numa chave de perna. Eric tentou se safar, mas o brasileiro manteve a posição. Quando o oponente lhe virou as costas e ajoelhou, Do Bronx’s rapidamente o puxou pela cintura, hiperextendendo as musculaturas da panturrilha e do quadríceps. Com a dor estampada no rosto, Wisely tentou escapar e Charles o puxou ainda mais. A dor se tornou insuportável e o americano desistiu.

A espetacular submissão rendeu ao brasileiro mais um bônus de melhor da noite no UFC. Do Bronx’s abocanhou 65 mil dólares adicionais à sua bolsa de vencedor.

Já o nocaute da noite foi obtido por Lavar Johnson sobre Joey Beltran. Confira os melhores momentos:

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Fonte:
http://www.mma-brasil.com
ALEXANDRE MATOS