A Corrida do Ouro

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"O ouro vale mais do que vinte oradores."
(William Shakespeare)
Não há mais corrida pelo ouro? O ouro anda nas minas? De garimpo em garimpo? Há febre do ouro?
Milhares de personalidades e autores literários já falaram sobre o ouro.
Os que jamais leram sobre o toque de Midas ainda desejam isto, inconsequentemente. Midas tem a alma igual a nossa.
Há corrida pelo ouro atualmente e este metal está em alta. Isto significa muita coisa, mas principalmente que não se está acreditando em moeda alguma no mundo ou em alguma outra mercadoria para se especular. As bolsas todas caíram. Quando grandes investidores procuram pelo ouro e esta corrida fica cada vez maior, porque a demanda aumenta e o valor só cresce também.
Fico imaginando o que significa a notícia que relatou a perda, na bolsa, de dois bilhões de dólares ; foi o que sofreu  um empresário nestes últimos dias.
O que fazer para preservar o patrimônio?
Nos garimpos costuma-se dizer que o ouro caminha, que o ouro anda de um lugar para o outro ali mesmo e, às vezes, o veio que estava num local aparece em outro.
Qual é a segurança?
Há uma febre pelo ouro. Relatos existem de garimpeiros que presenciaram companheiros que sofrem deste mal e que começa a ficar com o olho vidrado e com um brilho de cobiça que atrapalha todo o cotidiano.
O brilho dourado fascina e dá febre.
Existem outros febris que ficam dias e dias sentados na frente de um computador a estudar posições e mudar suas aplicações, vendendo , realizando lucros em tempo real e tentando evitar perdas, esperando a boa baixa para comprar com parte dos lucros e ganhar lá no momento oportuno da alta. A alta pode ser também forçada por outros mecanismos. Uma fofoca ou informação simples provoca perda ou lucro.
Enquanto o mercado está sensível assim, os mais precavidos e mais experientes deslocam-se para o ouro.
Quem mais notou que o ouro está em alta? Alguém, por acaso, sabe quanto o ouro se valorizou nestes últimos meses e semanas?
Sintomático. Quando isto ocorre é porque as demais aplicações não estão com tanto lastro assim, eclodindo a bolha ou se enxerga menor valia do que aquele número mal previsto.
Quer dizer que não haverá tanto investimento assim que demande o gasto de recursos e há um receio instalado nas cabeças dos especuladores sobre a possibilidade de estagnação ou recessão. Aqueles que produzem mesmo não ganharão porque o lucro será menor e a dívida será maior. Todos fogem da perda e alguém mais lento ou bem confiante acaba perdendo.
O ouro, até que se prove o contrário, tem lastro e é, historicamente, um bem  acumulado como reservas e que se investe maciçamente, sempre por aqueles que coordenam o mundo. Eles começam a puxar o preço e quando compram, o fazem na baixa e se não vendem na alta é que a coisa está realmente grave. E o valor sobe mais.
Seria um porto seguro.
Não há saudade alguma do metalismo, mas neste 2011,  existem trilhões de dólares e de euros em dívidas que devem ser honrados e o simples receio de inadimplência traz o brilho dourado ao mercado.
Quem não produz e só especula atrapalha aqueles que querem produzir e crescer. A febre pelo ouro continua e hoje faz a migração dos valores via bits e pela internet em minutos, deslocando os investidores para quem pagar mais juros. Quem paga mais juros atrai exatamente os febris, com uma isca dourada. Douram a pílula e trazem o remédio, a droga que curaria, no entanto aumentam a demanda por lucro especulativo e só fazem aumentar a febre.
O ouro anda, de teclados em teclados, de computadores em computadores na internet, ou por telefonemas estressantes.
O Homem ainda não mudou. A humanidade evoluiu apenas tecnologicamente, com o intuito de desenvolver mecanismos para o acumulativo e para preservar este seu apetite e não conseguirá aplacar sua fome.
Quem empresta para produzir, também dá o cartão de crédito para o atacadista, varejista e consumidor; enfim,   o dinheiro volta para o mesmo lugar. Empresta-se de novo , num único MOTO CONTINUO que existe de verdade, porque usa o mesmo dinheiro, estimulando a prestação como isca e os juros como o lucro a mais para alguns da rede.
Todos os sábios que ensinaram como isto não era o saudável, até mostrando os lírios do campo, foram crucificados por dizer verdades sobre aquilo que somos , de maneira geral. Isto seria o mercado, diriam outros...
Por isto se pagam os gênios para que se produzam mecanismos que mantenham, de modo seguro, nossos tiques e manias pela busca incessante do ouro; se possível com acumulação.

JOÃO CARLOS DE SOUZA LIMA FIGUEIREDO
PROFESSOR, ADVOGADO , 49 ANOS.